25 de setembro de 2009

Web chega a 23% das residências brasileiras

Fonte: Adnews

A cada 10 domicílios brasileiros,  três possuíam computador no ano passado. Apesar disso, o aparelho foi o produto preferido dentro da lista de eletro-eletrônicos para casa. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta sexta-feira (18/09).

De acordo com o levantamento, o número de lares com PC aumentou de 26,5% em 2007 para 31,2% em 2008, ou seja, são quase 18 milhões de casas. Desse total, 56% está na região Sudeste. A região que possui o menor número de computadores é a Nordeste, onde somente 15,7% possuem o aparelho. Em seguida está a região Norte com 17%.

Internet

De todas as residências com computador no país, 23,8% tinham acesso à internet no ano passado. O percentual é maior do que em 2007 (20%), mas a desiguldade de conexão continua. A região Sudeste possui o maior número de domicílios conectados (31,5%), depois aparecem: Sul (28,6%), Centro-Oeste (23,5%), Nordeste (11,6%) e Norte (10,6%).

Para Élia San Miguel, analista de telecomunicações do Gartner, é normal encontrar mais casas com computador do que com internet. “O crescimento acontece porque as classes C e D estão comprando micros. Mas o preço do equipamento ainda é caro, assim é preciso parcelar o pagamento. Só depois é que o consumidor começa a pensar em pagar por um serviço de acesso”, afirmou ao UOL Tecnologia.

O Brasil tem uma taxa média de penetração de internet de 15%, enquanto Argentina e Chile possuem 25% a 30%, segundo dados do Gartner. “Temos uma área enorme e com dificuldades de instalar infraestrutura para acesso. Veja o caso da Região Norte. A expectativa é que, com o impulso da venda de computadores, as operadoras passem a oferecer serviços melhores e mais em conta em várias regiões”, afirma Élia.

Telefonia
De acordo com o Pnad, 82,1% dos lares brasileiros possuem telefone, ou seja, mais de 47 milhões de residências. O número representa um aumento de 6,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desse total, 31,7% possuía celular em 2007. Ano passado, o percentual saltou para 37,6%.

Com o crescimento dos celulares, mais de 40% das casas não possuem telefone fixo. A região Norte lidera esse ranking com 49% de domicílios utilizam somente aparelhos móveis. Depois aparecem: Centro-Oeste com 47,7%, Nordeste 43,9%, Sul com 40,8% e Sudeste com 29,3%.

Os nordestinos são os campeões nas conversas pelo celular, apresentando crescimento de 35,2% em 2007 para 43,9%. “Na região Norte e Nordeste principalmente, nem sempre é fácil levar cabeamento para telefonia fixa, o que resulta em serviços caros e sem muita qualidade. O celular também acaba sendo a maneira mais fácil, barata e que funciona em todo lugar”, conclui Élia.

11 de maio de 2009

Consumo na Classe A sente os reflexos da crise

Fonte: Mundo do Marketing

A crise econômica não é mais assunto corriqueiro na mídia. Porém, a sombra dela está deixando empresas preocupadas com o comportamento do consumidor. Até companhias voltadas para a classe A estão perdendo força apesar de suas marcas estarem sempre na mente dos consumidores. Uma pesquisa feita pela Fractual Consulting mostra o impacto da crise econômica no consumo da classe A. O resultado aponta para um momento em que os consumidores de maior poder aquisitivo dependem também de iniciativas do Governo e resultados de mercado para continuar consumindo.

O estudo aponta para um comportamento mais defensivo dos consumidores cuja renda mensal é maior que o consumo. Diferente das classes B, C D e E, as mudanças para estes consumidores são nos padrões de investimento. Mesmo com renda mensal que varia de 7 a 14 mil reais, com a crise, o comportamento do consumidor é mais racional e exigente, segundo Celso Claudio, presidente da Fractual Consulting.

Priorizando custo e beneficio, o comportamento de compra da classe A durante a crise se baseia na qualidade de um bem ou serviço. Com cada vez mais consciência de seu poder de compra, aumenta a sua sensibilidade por um bom preço. Segundo Claudio, este consumidor torna-se menos vulnerável ao poder da marca, ou seja, está cada vez menos fiel a ela.

Esperança na demanda interna
A pesquisa da Fractual mostra que a renda mensal familiar da classe A, que está dividida em A1 e A2, varia de R$ 14.250 a R$ 7.557 respectivamente. O que parece muito se torna discrepante se comparado aos R$ 329,00 que a classe E costuma ter de renda mensal. Antes da crise econômica se anunciar, só no setor de imóveis os brasileiros investiam 19,7% de seu consumo médio.

Mas, de acordo com o presidente da Fractual Consulting, o brasileiro pode esperar por um 2009 de crescimento devido a fatores determinantes na demanda nacional como desempenho, recuperação dos preços de commodities exportados e, principalmente, a demanda interna. Esta, segundo Cláudio, é a força que tem sustentado a economia brasileira durante o período de crise.

“Para fugir da crise os investidores adotaram uma estratégia defensiva, mas vejo o Brasil com grandes instrumentos monetários para fazer frente a isso, como o espaço que a taxa de juros tem para cair, por exemplo”, avalia Celso Cláudio durante o Fórum ABA Rio de Pesquisa, realizado no Rio de Janeiro.

Sudeste e Nordeste recebem maior investimento
Este cenário compõe a realidade da outra extremidade do consumo: as classes C e D. As regiões Sudeste e Nordeste do Brasil podem vislumbrar crescimento baseado no programa de investimento do Governo que deve atingir R$ 110 bilhões este ano. O estudo mostra que os principais investimentos do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) serão no Sudeste e Nordeste brasileiro.

O Sudeste receberá cerca de R$ 70,6 bilhões (ou 47,7%) enquanto o Nordeste ficará com 24,8% dos investimentos. As outras regiões aparecem com R$ 23,1 bilhões para a região Norte, R$ 10,7 bilhões no Sul e R$ 7,6 no Centro-Oeste do país. Mas, não são apenas estes números que constroem o otimismo de Celso Claudio quanto ao comportamento de consumo na outra ponta.

“É preciso que a política assistencial (do Governo) seja eficiente, assim como os programas sociais e até a manutenção do emprego das classes C, D e E”, diz Celso Claudio. Neste cenário, as classes de menor renda de consumo manterão o consumo em áreas básicas como alimentos, aluguéis, eletrodomésticos e insumos da construção civil. Na classe média a aquisição de imóveis, alimentos, carros usados ou semi-novos e a redução de alguns itens de serviço estão inseridos no comportamento de compra dos consumidores. Para a classe mais alta, o consumo em 2009 estará ligado ao turismo interno, marcas premium importados, imóveis comerciais, segurança, educação, cultura e entretenimento, de acordo com dados da pesquisa.

Classe A também recua com a crise
Para se manter vivo enquanto o mercado se torna gradativamente mais competitivo, Cláudio aconselha as empresas à fazerem escala de operação e de produtividade, avaliar custos de distribuição e a sua qualidade. “Estas são variáveis relevantes nessa competição”, ensina.

É inegável que o comportamento de consumo dos brasileiros da classe A mudou por conta do que pode acontecer na economia. “Eles estão mais defensivos. As mudanças do consumidor que tem renda mensal maior que o seu consumo são feitas nos padrões de investimento. Eles apresentam comportamento racional e exigente, buscam a qualidade e sabem do seu poder de compra”, aponta Cláudio.

Cada vez menos vulneráveis ao poder de uma marca, estes consumidores acabam minimizando a sua fidelidade a elas. Por outro lado, na classe A como em todas as outras classes, a pesquisa da Fractual Consulting revela que o consumidor de uma forma geral está mais voltado para o consumo familiar, e com isso ele apresenta maior taxa de permanência no lar. “É necessário localizar demanda geograficamente e identificar as formas de consumo para sair na frente e manter a competitividade. Reduzir os custos de capacitação e redefinir os papéis e funções das cadeias de distribuição”, completa o presidente da empresa.

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